segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Diário de Bordo 4: um banquinho e um balcão

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Meu último serviço era meio escravo, o que me dava poucas oportunidades de férias. Então quando conseguia dez a quinze dias, era fantástico. Lá estava eu em pleno domingo, querendo usar meu penúltimo dia de férias, já que na terça-feira eu teria que voltar. Ainda triste pelos acontecimentos amorosos, convidei meu primo para irmos pegar uma mesinha no finado barzinho GLS Help. Mas, encima da hora, meu primo me deu um cano.

Fui eu lá, e peguei meu famoso banquinho em frente ao balcão, e curti minha assustadora solidão com meu copo de soda. No meio da noite, senti que estava sendo observado, o que não era novidade naquele ambiente. Fitei meus olhos na pessoa, e lá estava ele sentado numa mesa com mais dois amigos. Usava uma blusa listrada, magro e com um rosto marcante. Ao passar do tempo, conforme nossos olhares se cruzavam, ele meio que no nervosismo, tirava e colocava a blusa. Eu tenho até um pouco de vergonha de dizer, que naquele momento, tive um grande impulso sexual por aquela pessoa.

A noite estava terminando, e via outras pessoas que estavam junto dele me olhando também, como se tivessem me observando para dar nota... opinião... ou sei lá o que. Até que ele foi para fora, e não o tive mais no campo de visão. Do nada ele reapareceu, e veio em minha direção. Como um bobo eu fiquei meio tremulo e segurei a respiração, mas para minha decepção, apesar do estar olhando para minha direção, o filha da mãe passou direto e foi perguntar algo no caixa. E foi ele embora, para minha amarga solidão. Fui meio chateado para casa, achando que não sabia realmente ler os tais sinais da paquera.

Na sexta-feira seguinte, estava eu lá de novo, vi duas pessoas e achei que uma delas era ele, mas ao olhar atentamente vi que não era, infelizmente. No sábado, marquei presença e ao chegar já o vi sentado com os amigos. Dei uma olhadinha e segui para meu banquinho. Continuávamos a cruzar olhares, e realmente não estava errado sobre os sinais. Do nada, ele sentou do outro lado do balcão, pediu um refrigerante (o que já ganhou pontos, por que não era algo alcoólico) e continuávamos aos nossos olhares incessantes. Até que ele puxou para cima o banquinho e me ofereceu para sentar.

Na hora fiquei naquela, já muitos ali me ofereceram lugares e conversas e eu não dei bola. E aos que dei este espaço, me arrependi muito. Mas ele olhava para mim, com aquele sorriso em formato de boca de gato. E por impulso, me levantei e sentei ao seu lado. Muito simpático e falador, me fez senti a vontade. Acabamos contando muito sobre nós, e no meio da conversa até troquei seu nome por causa do apelido que seu colega o chamava. E ele olhou para mim e se levantou, disse que ia ao banheiro, mas deixaria a jaqueta branca dele encima do banquinho, pois era cara e eu não teria coragem de fugir e deixá-la ali. Eu sorri, e o vi afastar.

Voltando do banheiro, trocamos e-mails (era a primeira vez que dava meu e-mail pessoal para alguém, e não o secundário) e telefones. O papo fluía perfeitamente, até que ele interrompeu e disse que precisava ir embora. E eu querendo ficar mais um pouquinho com ele. E ele falou que nos falariamos.

Em breve, continuo...

Ass.: Ray

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